O som dos corredores rangendo a cada passo do homem anunciavam sua presença as ruínas que a muito não viam nenhum vivo, uma antiga torre agora há muito em repouso às areias do deserto, ele era um homem esguio e de estatura mediana, porém a estrutura estava tão avariada que a cada passo parecia que o mundo ia cair novamente, ele via telas cobertas de poeira e quebradas, a cada canto que passava, tentava achar algo útil para sucatear, uma das coisas que carregava era um pedaço de pedra cinzenta afiada, uma pedra que cortava mais que as pedras comuns, algo extremamente raro, e o local estava cheio disto, muito pesado para conseguir carregar tudo em sua mochila, que já estava cheia de tralhas.
Ao caminhar mais adiante na torre, achava esculturas em pedra esbranquiçada no mínimo curiosas, porém a pedra era muito frágil para se fazer algum proveito, algumas dessas esculturas seguravam pedras afiadas e em formato de conchas, dos quais pegava alguns, ainda sem entender a utilidade dos mesmos. Também achava alguns pedaços de pedra marrom e pedra cinzenta juntos, estilhaçados, aparentemente eram um só antes, um monte de tralhas inúteis ao ver do homem, que após trinta anos catando tralhas para sobreviver, tinha o olho afiado para itens úteis.
O homem por fim achava um quadrado de pedra frágil marrom, cheia de caroços e olhos, e o que lhe parecia uma cauda, cauda que parecia poder ser alimentada por luz, o homem guardou a caixa na mochila, que agora lhe parecia pesar toneladas, e machucavam sua nuca com as antenas da caixa, decidiu apertar o passo na torre, a fim de atravessá-la de vez, pegava duas pernas de pedra transparente, o que lhe era bastante valioso para a sobrevivência nas areias e seguia a caminhada, até que um item curioso lhe chamou a atenção, uma grande caixa negra de pedra dura, o tipo de pedra mais dura que já viu, ainda assim, uma fissura aberta permitiu que, com a ajuda de uma alavanca pudesse abrir o quadrado de pedra, ele achou alguns artefatos curiosos, pareciam folhas quadradas presas no couro de alguém, com riscos indecifráveis neles, reconhecia algumas palavras apenas pelo som da pronúncia, o que lhe fez carregá-los.
Ao chegar no burro que carregava várias mochilas e sacolas, pegou a caixa negra de luz e dois tendões, prendendo-os no rabo da caixa que antes achara, algumas luzes se acenderam e a caixa começou a chiar, o homem começou a torcer os caroços da caixa até que ouviu uma voz, "Todos que ouvirem, todos que sobreviveram, venham ao sul...", foi tudo que ouviu antes que a caixa voltasse a chiar, o homem não sabia o que era mais confuso, os chiados ou as palavras do homem.
"O que é o Sul?"
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