Ruas sem cor, desertas e escuras, ele via o mundo todo em preto-e-branco, sem som, sem vento, sem céu, apenas um branco profundo sobre sua cabeça, podia ver a rua em que crescera a sua frente, ele andava pelo meio da rua, não passavam carros, nem pessoas, a rua e a estrada estavam escuros, criando contraste com o céu branco, que não emitia luz, em passos pequeninos ele caminhava à norte, pelo meio da rua, sem rumo. Fome? Sede? Medo? Tudo isso havia ficado para trás, onde ainda havia cor, a cor lhe foi tomada de forma tão rápida, sempre é assim. Ele estava sozinho, mas estava com muitos, cada um sozinho de forma igual. Quando havia cor, seus cabelos eram dourados, um pequeno garoto de quatro anos. Agora, seus cabelos pareciam brancos, devido a falta de cor.
O garoto então sentia o chão tremer, seus pés já haviam caminhado incontáveis vezes, por incontáveis lugares e por lugar nenhum, tudo permanecia negro e branco, quieto e sozinho. pela primeira vez, ele via um cone negro, de "luz" surgir da floresta negra a frente, ele caminhou inconscientemente até lá, dentre cada árvore, sobre o solo úmido, caminhou ainda mais, muito mais que jamais andara, florestas, cidades, descampados, mais florestas, até chegar no alto de uma colina, onde descansava uma rocha negra, parecia com um cristal negro, que refletia o branco sobre sua cabeça, ele parara em frente a ele, tocando-o com ambas as mãos, o cristal, de alguma forma, sugou todo o branco do "céu", deixando tudo negro, então, ele começou a brilhar, e esse brilho carregou o garoto, que quando notara, levitava no ar, e subia cada vez mais.
Finalmente, depois de décadas, ele sentiu alegria e paz.
A cada vez que leio algo que escreves é impossível não se emocionar de alguma forma. Gosto do jeito que usa as palavras. És realmente muito bom com isso, continue assim.
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