16.9.11

Liberdade, para sempre

Existia, em algum lugar, uma pequena ilha, uma ilha onde o sol sempre brilhava, o mar era sempre acolhedor com os habitantes da ilha, fornecia peixes para a ilha, e tudo que precisassem, os habitantes viviam em casas feitas de troncos de árvore, que eram frescas no calor, e quentes no frio, era uma ilha paradisíaca, de fato.

Existia um menino, porém, que não se contentava com conhecer apenas aquela ilha, queria desbravar os mares, conhecer mais pessoas, ver coisas, conhecer o mundo, seu pai era pescador, certo dia, o jovem pegou o barco a remo de seu pai e começou a remar, remou, por dias, meses, até se alimentava dos peixes que o mar fornecia, e bebia a água da chuva, após todo esse tempo com apenas o céu e o mar como seus parceiros, ele finalmente chegou a Terra firme, era um grande continente, existiam milhares de tipos de pessoas, várias culturas, logo ao chegar, conheceu um Bardo, que usava um instrumento de cordas que emitiam melodias tranquilas e harmoniosas, era o ritmo do jovem, ele pediu ao velho bardo para ensiná-lo, o mesmo aceitou, relutante, e após o término do longo treinamento, o bardo, orgulhoso, deu aquele instrumento para o jovem, ele era de longe mais habilidoso, e tinha muito mais a viver, que aquele velho bardo que tocava para viver, "Suas canções tocarão o coração de inúmeras pessoas, até o fim de sua vida, rapaz.", disse o Bardo, o rapaz, contente, passou a caminhar pela terra, conhecendo várias culturas que nem ao menos conheciam seu idioma, o rapaz conseguiu cativar todas essas culturas com sua música, conhecia a natureza, pessoas, lugares, tudo novo.

Conheceu uma bela jovem, ela não falava seu idioma, e tinha exatamente a mesma idade que ele, tocava o mesmo instrumento, seus olhos eram da mesma cor, eles não tinham o mesmo idioma, mas se entendiam perfeitamente, e após o tempo, ela passou a viajar com o jovem.

Após anos e anos, o já não jovem homem, retornou a ilha de onde veio, seu velho pai mal o reconheceu, e se emocionou ao vê-lo, o pai perguntou ao seu filho "Por quê você foi embora? Por quê nos deixou?", o homem retrucou "Precisava saber o que significa liberdade, Pai.", o pai não entendeu direito, mas achou melhor não contradizer o rapaz.

Anos depois, o filho daquele homem, que também se tornou um pescador, começou a mencionar coisas do mesmo tipo que o pai dizia, e pouco tempo depois, o homem ficou gravemente doente, em seu leito de morte, o pai chamou seu filho, e lhe disse "Meu filho, nessa idade, eu tive as mesmas perguntas que você tem, os mesmos sentimentos que você tem, até a mesma cara! Você quer saber a resposta para o quê é a Liberdade, certo? Infelizmente meu filho, não posso lhe dizer, confio que você irá buscar dentro de si a resposta, e quando a tiver, virá me dizer...", essas foram as últimas palavras do homem, que faleceu ali mesmo, com um sorriso de satisfação ao rosto, e os olhos fixos em sua esposa, o amor de sua vida.

Trinta anos depois, o filho retornou ao túmulo de seu pai, finalmente com a resposta.

"Pai, a Liberdade é limitada com os seus limites, a Liberdade que os seres humanos tanto prezam, não é a verdadeira liberdade, a Liberdade é o conhecimento, a vida é limitada, você sabe muito bem disso, mas a vivência, o conhecimento é ilimitado."

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