Existia um menino, porém, que não se contentava com conhecer apenas aquela ilha, queria desbravar os mares, conhecer mais pessoas, ver coisas, conhecer o mundo, seu pai era pescador, certo dia, o jovem pegou o barco a remo de seu pai e começou a remar, remou, por dias, meses, até se alimentava dos peixes que o mar fornecia, e bebia a água da chuva, após todo esse tempo com apenas o céu e o mar como seus parceiros, ele finalmente chegou a Terra firme, era um grande continente, existiam milhares de tipos de pessoas, várias culturas, logo ao chegar, conheceu um Bardo, que usava um instrumento de cordas que emitiam melodias tranquilas e harmoniosas, era o ritmo do jovem, ele pediu ao velho bardo para ensiná-lo, o mesmo aceitou, relutante, e após o término do longo treinamento, o bardo, orgulhoso, deu aquele instrumento para o jovem, ele era de longe mais habilidoso, e tinha muito mais a viver, que aquele velho bardo que tocava para viver, "Suas canções tocarão o coração de inúmeras pessoas, até o fim de sua vida, rapaz.", disse o Bardo, o rapaz, contente, passou a caminhar pela terra, conhecendo várias culturas que nem ao menos conheciam seu idioma, o rapaz conseguiu cativar todas essas culturas com sua música, conhecia a natureza, pessoas, lugares, tudo novo.
Conheceu uma bela jovem, ela não falava seu idioma, e tinha exatamente a mesma idade que ele, tocava o mesmo instrumento, seus olhos eram da mesma cor, eles não tinham o mesmo idioma, mas se entendiam perfeitamente, e após o tempo, ela passou a viajar com o jovem.
Após anos e anos, o já não jovem homem, retornou a ilha de onde veio, seu velho pai mal o reconheceu, e se emocionou ao vê-lo, o pai perguntou ao seu filho "Por quê você foi embora? Por quê nos deixou?", o homem retrucou "Precisava saber o que significa liberdade, Pai.", o pai não entendeu direito, mas achou melhor não contradizer o rapaz.
Anos depois, o filho daquele homem, que também se tornou um pescador, começou a mencionar coisas do mesmo tipo que o pai dizia, e pouco tempo depois, o homem ficou gravemente doente, em seu leito de morte, o pai chamou seu filho, e lhe disse "Meu filho, nessa idade, eu tive as mesmas perguntas que você tem, os mesmos sentimentos que você tem, até a mesma cara! Você quer saber a resposta para o quê é a Liberdade, certo? Infelizmente meu filho, não posso lhe dizer, confio que você irá buscar dentro de si a resposta, e quando a tiver, virá me dizer...", essas foram as últimas palavras do homem, que faleceu ali mesmo, com um sorriso de satisfação ao rosto, e os olhos fixos em sua esposa, o amor de sua vida.
Trinta anos depois, o filho retornou ao túmulo de seu pai, finalmente com a resposta.
"Pai, a Liberdade é limitada com os seus limites, a Liberdade que os seres humanos tanto prezam, não é a verdadeira liberdade, a Liberdade é o conhecimento, a vida é limitada, você sabe muito bem disso, mas a vivência, o conhecimento é ilimitado."
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