Em certo ponto, certa época, havia um homem, em seus quarenta anos de idade, cabelos longos, que já iam perdendo a coloração, sobrando apenas a cor grisalha, sua barba exaltava sua experiência e vivência, Lembravam-no de uma época bem antiga, onde ele caminhava livremente pelas ruelas de seu vilarejo, brincando como toda criança comum, seu pai, deixou-lhe uma impressão marcante sobre os caminhos da Guerra, era um homem honrado e sério, sempre se mostrava triste ao ter de ir para uma batalha, mas não apenas por ter de deixar esposa e filho esperando por ele em casa, mas sim por lembrar que, entre os inimigos, também tinham familiares esperando por eles, que tudo aquilo podia ser resolvido por um argumento, porém nem ele mesmo era capaz de contestar as ordens da realeza, que pouco conhecera sobre os campos de guerra.
As cicatrizes profundas em sua face, uma cruzando-lhe o olho esquerdo lembrou-lhe o quão difícil foram os treinamentos, era jovem e inocente, nada sabia sobre a responsabilidade de tirar uma vida, estar em campo de batalha, lutar por ideais e brigas que nada lhe interessava, pensava nas batalhas como uma honrada batalha entre homens, mas não há glória nem honra entre homens que morrem sem razão, viu seus melhores amigos caírem um-a-um ao seu lado, as cicatrizes foram lhe mostrando o que seu pai havia vivido, e lembrava-no da responsabilidade de voltar para casa, a salvo para seus familiares.
As mãos, gastas e fracas, lembravam-no do quanto teve de trabalhar para manter sua família alimentada, horas e horas de trabalho no campo, por uma mixaria, quase lhe faziam desejar a vida de soldado, agora tinha filhos para criar, um menino, uma menina, com o passar dos anos, o menino se tornou um rapaz inteligente e sensível, muito diferente de seu pai cabeça-dura, a menina se tornara uma verdadeira princesa, certo príncipe lhe apareceu e mudou sua vida, do nada, sua companheira, de anos e anos, acabara por falecer de uma doença, o que fora de longe o impacto mais forte em sua vida.
Os pés, quanto andaram! andaram por ruelas, campos de batalha, plantações de arroz, e agora, trilhavam pela floresta, longe de tudo e de todos, o único som que ele ouvia eram os pássaros cantando, e o vento, que batia como um trovão em sua pequena casinha na floresta, por falta de companhia, o velho homem perdeu o dom da fala, mas do que lhe faria falta? nunca se arrependera de nada em sua vida, foi uma longa e árdua viagem, até aqui, nesse cantinho livre para a natureza.
O coração, sempre bateu forte, como estrondos, terremotos, após anos e anos de tanto errar e aprender, o coração não conseguiu manter a força, e parou de bater, aquele tolo e sábio homem, finalmente podia descansar.
"Errei, tentei, acertei, a vida foi difícil e confusa, mas foi muito divertida."
Caralho mano, supra-profissional, humilha esses noob literário que se enche de importância, humilde e lindo, forte, consistente, tocante... Meu Deus, parabéns Mandoveless.
ResponderExcluirmenino, que texto foda :3 parabéns.
ResponderExcluirBem simples , porém , a sensação que tive lendo o ultimo parágrafo foi a mais épica que li de teus textos .
ResponderExcluirLindo esse texto. Simples e magnifico de um jeito...lindo. Adorei. Continue assim (:
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