Na mesma tarde, ele conseguiu vê-la, tão pequena e frágil, mesmo assim, tão corajosa, não se sentia nem um pouco amedrontada por sua gigantesca presença, ele diversas vezes levantou-a o máximo que conseguia, ela adorava a visão de lá de cima, sempre na despedida, a mesma coisa, ela olhava-o tão grande, tão triste, sentia falta de tê-lo novamente pequeno, grande para ela, mas pequeno o suficiente para abraçá-la e acolhê-la em seus braços, seus longos cabelos caindo sobre seus ombros, seus olhos tranquilos transmitiam toda a segurança que ela precisava, por ter de protegê-la se transformara naquilo, mesmo assim não sentia nenhum ressentimento, seu amor apenas crescera, assim como seu grande coração, ambos sonhavam com algum dia ele retornar à si, a cada mudança de comportamento dela ele sentia-se ainda mais impotente, ele não podia estar ao lado dela para tudo, não mais, queria ao menos mais uma vez poder segurar em suas mãos, e ter como dizer o quanto a amava, um amor tão puro que não parava de crescer, ela era sua musa, não ousaria arriscar sua vida novamente para salvá-la, jamais.
Certo dia, o gigante notou a demora para sua musa aparecer, mas não ousou nem uma vez pensar que ela não viria, ele ficou em pé em frente ao arco que separava o vale dos campos que, após um longo caminho, levaria ao reino da jovem.
Anos se passaram, o musgo já havia coberto o gigante por completo, seus olhos de pedra continuavam vivos, e escorriam um líquido claro, esse mesmo líquido acabou por criar uma lagoa ao seu redor, suas lágrimas trouxeram de volta a vida ao vale, que antes só tinham poucas flores, agora cresciam árvores, finalmente cansado após aguardar tantos anos, o gigante correu enfurecido em direção ao castelo, ela poderia ter arrumado alguém melhor, ele pensava, mas a simples idéia dela não ter nem ao menos lhe dito lhe enfurecia, ele não tinha muito a dar, e ela ganharia muito por não estar com ele, ele dava patadas enfurecidas em frente ao castelo, um rugido saia de sua boca de pedra, que nem ao menos abrira para soltar tamanho estrondo, todos do castelo apavoraram-se, tacaram-lhe flechas, pedras, mas nada penetrava a pele de pedra que ele tinha, já enfurecido, ele fechava o punho, desferindo um soco ao chão, que só parou ao notar que havia uma criança em baixo dele, ele deu passos para trás, e ficou amedrontado apenas pela idéia de machucar uma criança, "Por favor, pare! Meu papai mora lá." O garoto disse, em lágrimas, o tão simples e corajoso ato do jovem foi o suficiente para fazer o gigante cair de joelhos, pela primeira vez, era capaz de ouvir-lo falando "Onde está ela? Onde está minha amada? Onde está a Princesa?" ele disse, o garoto se entristeceu ao ouvir sua pergunta, não soube responder.
Ao notarem que o Gigante não representava perigo, não demorou que os cidadões lhe dissessem do ocorrido.
"Lamento, a Princesa disse que estava cheia de lhe ver naquele estado, e ainda tão fiel, ela passou dias em claro, e tentou pactos para trá-lo de volta ao normal, mas nenhum deles deu certo, e aparentemente, tiraram sua vida, transformando-na numa estátua gigante, diferentemente de você, sem alma."
A notícia foi um choque para o Gigante, que se encaminhou para o lugar dito, encontrando finalmente sua amada, num estado tão deplorável quando o dele, tinha exatamente todos os aspectos dele, porém não se movia, era de fato uma estátua, novamente, lágrimas escorriam pelos olhos de pedra do gigante, maior que a sensação de ter perdido sua amada, era a alegria de saber que ela foi tão disposta de procurar uma solução em seu nome, assim como ele faria em seu nome.
Ciente de que não havia lugar para ele ao mundo, manteve-se em pé ao lado de sua amada, segurando sua mão, que finalmente cabia perfeitamente com a dela, e abraçou-a cuidadosamente, deitou-se a repousar naquela pose, para que os corpos de pedra simbolizassem eternamente o sentimento mútuo entre os dois, finalmente, suas lágrimas demonstravam alegria.